Bamboo – Projeto Biblioteca SESC Bom Retiro

BAMBOO

 

decorada com design assinado, a nova geração de bibliotecas oferece beleza e conforto para quem quer ler, brincar e relaxar

 

11.08.2015
texto
maria silvia ferraz e michele oliveira
fotos fran parente, lufe gomes e nelson kon

 

 

Na tarde de uma terça-feira de inverno, a menina escuta atentamente a história infantil lida por sua avó. Em outra mesa, o adolescente joga xadrez com o pai. Não muito longe, jovens acessam a internet com grandes fones de ouvido. No terraço, o casal de ciclistas descansa e conversa. O cenário para todas essas atividades é um só: a Biblioteca Parque Villa-Lobos, na zona oeste de São Paulo.

Aberto ao público em novembro, o espaço segue a tendência internacional de ser um lugar de criação e não somente de acesso e disseminação de livros. Na prática, isso significa que você pode esquecer as pratelei- ras abarrotadas de publicações empoeiradas e bibliotecárias de cara fechada. A Villa-Lobos é bem iluminada, tem fácil circulação e os lançamentos literários ocupam estantes baixas, que não bloqueiam a amplitude visual. Além disso, tem computadores, espaço infantil, café, área para exposições, jogos de tabuleiro e uma sala de videogame. O público aprovou: no fim de semana, são cerca de 2.000 visitantes por dia.

Boa parte do sucesso pode ser atribuída ao projeto de interiores, do arquiteto Marcelo Aflalo. O edifício de concreto, de Decio Tozzi, havia sido inaugurado em 2013 como centro de referência em educação ambiental. Mas a Secretaria de Estado do Meio Ambiente nunca ocupou o pavilhão de 4.000 m2. A Secretaria da Cultura, então, chamou Aflalo para a conversão. Sem mudar a estrutura, ele fez uma intervenção que trouxe vida ao grande salão central de pé-direito alto: a oca. Trata-se de uma estrutura de madeira que abriga uma sala de leitura mais reservada, apesar de ainda aberta.

Outra diferença fundamental em relação às bibliotecas de antigamente está no mobiliário. Desenhados pelo designer Fernando Jaeger, poltronas, cadeiras, mesas e pufes são as mesmas peças encontradas em suas lojas, mas as cores foram escolhidas a dedo para a Villa-Lobos. “Quis tons muito alegres, para animar a arquitetura de concreto e incentivar o prazer da leitura”, contou ele, em visita guiada para a Bamboo.

Essa não é a primeira biblioteca de Jaeger. Em 2010, ele também desenvolveu o mobiliário para a Biblioteca de São Paulo, no Parque da Juventude, na zona norte. “Estamos cercados de maus exemplos, mas as novas bibliotecas provam que é possível o espaço público ser bom”, diz.

Espontâneo e lúdico
Oferecer arquitetura e design de qualidade para seus visitantes sempre esteve no topo das prioridades do Sesc-SP, que tem no projeto da Pompeia, de Lina Bo Bardi, seu exemplo máximo. Há cerca de 15 anos trabalhando com a rede, Paulo Alves já desenhou ambientes e móveis para várias unidades. No Sesc Bom Retiro, aberto em 2011 na área da Cracolândia, no centro, o arquiteto sugeriu que a biblioteca tivesse acesso livre, sem catracas ou balcões de atendimento como obstáculos.

A característica, diz, é fundamental para estimular o uso espontâneo desse tipo de equipamento público. Quem entra ali encontra mesa coletiva, mesas individuais e poltronas desenhadas por Marcelo Rosenbaum. Dá para ler um livro, folhear uma revista, carregar o celular ou simplesmente cochilar. É o que acontece, por exemplo, nos dois casulos dispostos sob a escada metálica. Pensados inicialmente para receber crianças, os nichos com futon de couro viraram os lugares mais disputados da biblioteca. “O papel do design é levar cor, formas, beleza, alegria e felicidade para todo tipo de gente. Fico emocionado quando vejo muitas pessoas usando um móvel meu. Sem dó, mas com carinho”, afirma Paulo.

Presentes na brinquedoteca do Sesc Bom Retiro, os módulos Campo, do estúdio Ovo, são uma espécie de hit da nova geração de espaços para leitura: estão também na Biblioteca Parque Estadual, no Rio de Janeiro, na Comunidade Shalom, em São Paulo, e na Pinacoteca de São Paulo. “Considero os módulos muito bem articulados. Fica legal unir dois, ou três ou muitos”, diz Gerson de Oliveira, designer da Ovo ao lado de Luciana Martins.

No espaço de leitura da Pinacoteca, de 2011, os pufes, juntamente ao grande tapete, são responsáveis por transformar uma sala de passagem num ambiente de acolhimento. O acervo completo, de 9.000 obras, pode ser acessado nos dois computadores, e alguns livros de arte podem ser consultados. 

 

http://bamboonet.com.br/posts/decorada-com-design-assinado-a-nova-geracao-de-bibliotecas-oferece-beleza-e-conforto-para-quem-quer-ler-brincar-e-relaxar

 

 

20150800-bamboo-biblioteca-sesc-bom-retiro-1i20150800-bamboo-biblioteca-sesc-bom-retiro-2

Newsletter

Inscreva-se e receba nossos conteúdos e promoções.

Nós não vendemos ou enviamos seus dados para outro lugar. Você pode se desinscrever na hora em que desejar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *