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  • Casa Vogue – A Casa Rosa de Nando Reis em São Paulo

    O lar escolhido por Nando Reis, no bairro paulistano do Pacaembu, só foi arrematado depois que o designer, arquiteto e amigo Paulo Alves visitou o local e aprovou. “Conheci o Paulo quando ele ainda era da Marcenaria Baraúna e fez as peças que a gente precisava para mobiliar nossa casa. (…) Era algo materializante do que a gente realmente queria. Depois, quando comprei uma morada nova e precisei de alguém para fazer a reforma, lembrei do jeito com que ele havia transformado minhas intenções em objetos concretos”, conta Nando no livro sobre a obra de Paulo, lançado em 2015 pela editora Olhares.

    Durante os dois anos da obra, a propriedade dos anos 1940 foi completamente modificada para atender às necessidades nada tradicionais do dono. Apesar de servir o cantor solteiro, ela deveria receber bem os cinco filhos de idades diferentes. O primeiro passo foi “descascar” a casa inteira para descobrir sua verdade estrutural. “Fizemos um procedimento quase arqueológico”, se diverte Paulo.

    Nessa jornada, na medida em que os tijolos antigos foram sendo expostos e o telhado reformado exibiu belos detalhes originais, descobriu-se também que, para remover as paredes internas e modernizar os cômodos clássicos do sobrado, seria necessária a construção de uma estrutura de concreto. Esta acabou virando uma espinha dorsal cheia de estilo para os interiores, imprimindo ares contemporâneos ao ambiente rústico.

    Subindo pela escadaria de mármore com corrimão de ferro rendilhado, encontra-se a área íntima. A suíte máster nasceu da junção de três antigos dormitórios. Já os outros quartospermaneceram com perfume tradicional. “Optamos por fazer como antigamente e, em vez de criar várias suítes, preferimos um grande banheiro compartilhado”, revela Paulo sobre os cômodos revestidos pelos vernaculares cacos de azulejo branco.

    A decoração surgiu durante o retrofit, mesclando peças que o cantor já possuía – dentre as quais muitas eram do designer e arquiteto amigo – e outras feitas sob encomenda. A mesa Planalto, na sala de jantar, foi criada por Paulo especialmente para Nando Reis e acabou virando um produto de linha. O painel de madeira junto à cabeceira da cama do cantor, que oculta um closet, também foi um projeto customizado.

    A paixão do morador por arte e botânica também norteou o processo. A coleção de quadros, esculturas e objetos garimpados adiciona cor ao projeto todo em tons terrosos. O paisagismo, feito por Ricardo Vianna com as espécies favoritas de Nando, assumiu a mesma função. “No meio da obra, ele comprou uma tela enorme do pintor Rodrigo Andrade, que não cabia em nenhuma parede. Tivemos que aumentar uma das novas, de concreto, o que resultou no surgimento de uma estante embutida para abrigar uma coleção de CDs, criada sob medida com letras para organizá-los em ordem alfabética.”

    Apesar das plantas e das obras de arte, Nando Reis achou que, no fim, ainda faltava cor. Foi quando resolveu, com a consultoria de Paulo, pintar todos os muros da casa com quatro tons de rosa. Assim, o lar ganhou nome. Passou, então, a chamar-se Casa Rosa.

     

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  • Bamboo – Projeto Biblioteca SESC Bom Retiro

    BAMBOO

     

    decorada com design assinado, a nova geração de bibliotecas oferece beleza e conforto para quem quer ler, brincar e relaxar

     

    11.08.2015
    texto
    maria silvia ferraz e michele oliveira
    fotos fran parente, lufe gomes e nelson kon

     

     

    Na tarde de uma terça-feira de inverno, a menina escuta atentamente a história infantil lida por sua avó. Em outra mesa, o adolescente joga xadrez com o pai. Não muito longe, jovens acessam a internet com grandes fones de ouvido. No terraço, o casal de ciclistas descansa e conversa. O cenário para todas essas atividades é um só: a Biblioteca Parque Villa-Lobos, na zona oeste de São Paulo.

    Aberto ao público em novembro, o espaço segue a tendência internacional de ser um lugar de criação e não somente de acesso e disseminação de livros. Na prática, isso significa que você pode esquecer as pratelei- ras abarrotadas de publicações empoeiradas e bibliotecárias de cara fechada. A Villa-Lobos é bem iluminada, tem fácil circulação e os lançamentos literários ocupam estantes baixas, que não bloqueiam a amplitude visual. Além disso, tem computadores, espaço infantil, café, área para exposições, jogos de tabuleiro e uma sala de videogame. O público aprovou: no fim de semana, são cerca de 2.000 visitantes por dia.

    Boa parte do sucesso pode ser atribuída ao projeto de interiores, do arquiteto Marcelo Aflalo. O edifício de concreto, de Decio Tozzi, havia sido inaugurado em 2013 como centro de referência em educação ambiental. Mas a Secretaria de Estado do Meio Ambiente nunca ocupou o pavilhão de 4.000 m2. A Secretaria da Cultura, então, chamou Aflalo para a conversão. Sem mudar a estrutura, ele fez uma intervenção que trouxe vida ao grande salão central de pé-direito alto: a oca. Trata-se de uma estrutura de madeira que abriga uma sala de leitura mais reservada, apesar de ainda aberta.

    Outra diferença fundamental em relação às bibliotecas de antigamente está no mobiliário. Desenhados pelo designer Fernando Jaeger, poltronas, cadeiras, mesas e pufes são as mesmas peças encontradas em suas lojas, mas as cores foram escolhidas a dedo para a Villa-Lobos. “Quis tons muito alegres, para animar a arquitetura de concreto e incentivar o prazer da leitura”, contou ele, em visita guiada para a Bamboo.

    Essa não é a primeira biblioteca de Jaeger. Em 2010, ele também desenvolveu o mobiliário para a Biblioteca de São Paulo, no Parque da Juventude, na zona norte. “Estamos cercados de maus exemplos, mas as novas bibliotecas provam que é possível o espaço público ser bom”, diz.

    Espontâneo e lúdico
    Oferecer arquitetura e design de qualidade para seus visitantes sempre esteve no topo das prioridades do Sesc-SP, que tem no projeto da Pompeia, de Lina Bo Bardi, seu exemplo máximo. Há cerca de 15 anos trabalhando com a rede, Paulo Alves já desenhou ambientes e móveis para várias unidades. No Sesc Bom Retiro, aberto em 2011 na área da Cracolândia, no centro, o arquiteto sugeriu que a biblioteca tivesse acesso livre, sem catracas ou balcões de atendimento como obstáculos.

    A característica, diz, é fundamental para estimular o uso espontâneo desse tipo de equipamento público. Quem entra ali encontra mesa coletiva, mesas individuais e poltronas desenhadas por Marcelo Rosenbaum. Dá para ler um livro, folhear uma revista, carregar o celular ou simplesmente cochilar. É o que acontece, por exemplo, nos dois casulos dispostos sob a escada metálica. Pensados inicialmente para receber crianças, os nichos com futon de couro viraram os lugares mais disputados da biblioteca. “O papel do design é levar cor, formas, beleza, alegria e felicidade para todo tipo de gente. Fico emocionado quando vejo muitas pessoas usando um móvel meu. Sem dó, mas com carinho”, afirma Paulo.

    Presentes na brinquedoteca do Sesc Bom Retiro, os módulos Campo, do estúdio Ovo, são uma espécie de hit da nova geração de espaços para leitura: estão também na Biblioteca Parque Estadual, no Rio de Janeiro, na Comunidade Shalom, em São Paulo, e na Pinacoteca de São Paulo. “Considero os módulos muito bem articulados. Fica legal unir dois, ou três ou muitos”, diz Gerson de Oliveira, designer da Ovo ao lado de Luciana Martins.

    No espaço de leitura da Pinacoteca, de 2011, os pufes, juntamente ao grande tapete, são responsáveis por transformar uma sala de passagem num ambiente de acolhimento. O acervo completo, de 9.000 obras, pode ser acessado nos dois computadores, e alguns livros de arte podem ser consultados. 

     

    http://bamboonet.com.br/posts/decorada-com-design-assinado-a-nova-geracao-de-bibliotecas-oferece-beleza-e-conforto-para-quem-quer-ler-brincar-e-relaxar

     

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