Decore – Poltrona Gilberto

Toque de Afeto

“Gilberto Dimenstein nasceu em 1956, mas não tenho dúvidas de que é um daqueles caras que Victor Brecheret idealizou quando criou o Monumento às Bandeiras para o Parque Ibirapuera em
1954”, brinca o arquiteto e designer Paulo Alves ao falar sobre o jornalista. O Estúdio Paulo Alves nasceu há quatro anos na capital paulista, mas o designer revela que a admiração pelo trabalho de
Dimenstein vem de muito antes. “Nossa esquina fica no meio do caminho que ele faz, sempre a pé, entre a casa e seu escritório.


Em uma das primeiras altas horas de 2011, nosso homenageado bateu no vidro e pediu para entrar, apresentando-se como se não fosse conhecido, com a humildade característica dos grandes homens”, rememora. Desde então, foram várias as incursões do jornalista aos bastidores do Estúdio, “nestes ‘fora de hora’ mais proveitosos que qualquer horário de expediente comercial”. Em uma destas, ele estava admirando a primeira versão de uma nova poltrona ainda sem nome e com cheiro de madeira serrada. “O convidei a entrar e, em poucos segundos, ele já estava acomodado confortavelmente no móvel. Naquele momento, não tive a menor dúvida. Estava batizada minha mais nova criação: poltrona Gilberto”. E não é para menos. A obra foi resultado de solicitações de
clientes que almejavam pelo conforto. “Uma peça que pudesse colocar em uma sala de estar e esquecer o tempo”. Sua estrutura é toda em sarrafos finos de ipê, com as inclinações e dimensões generosas para acolher com aconchego o corpo, sendo inteligente na responsabilidade de usar a madeira sem desperdício. Depois de pouco mais de um mês de desenvolvimento entre sketchs, 3Ds e pesquisa, nasceu o primeiro protótipo, de linhas menos orgânicas e mais pesado do que o modelo final. Contudo, a parte estofada ficou longe do que Alves gostaria e, a partir deste momento, começou a desenvolver de fato o que se tornaria a poltrona Gilberto. “Após muitas conversas e estudo na marcenaria, o braço foi modificado dando lugar a um confortável apoio em formato de folha. O encosto foi elevado para dar mais sustentação para as costas e a profundidade, modificada”, conta e completa: “A espessura da madeira ficou menor e algumas peças estruturais foram adicionadas. Trocamos a percinta de couro por uma elástica e, depois de dois protótipos, finalmente a peça final ficou pronta”.

A expressão do design brasileiro está intrínseca no trabalho de Paulo Alves. A madeira, com suas características naturais e simbólicas, é a protagonista. Formado em arquitetura na Universidade de São Paulo (USP), antes de atuar como designer, trabalhou no escritório de Lina Bo Bardi e também no Instituto Bardi. A isso se mistura a infância na pequena cidade de Jardinópolis, no interior de São Paulo, ficando evidente como parte importante seu processo de criação.

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